<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097</id><updated>2012-02-16T01:09:15.900-08:00</updated><title type='text'>Os segredos do Caso Guaratuba</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-3794357515112723307</id><published>2011-01-31T06:43:00.000-08:00</published><updated>2011-01-31T06:45:22.600-08:00</updated><title type='text'>Comissão de Direitos Humanos confirma que Celina e Beatriz Abagge foram torturadas para confessar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/TUbK9pmdG8I/AAAAAAAAAVg/5Faztt1lUDs/s1600/tortura%2B01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/TUbK9pmdG8I/AAAAAAAAAVg/5Faztt1lUDs/s320/tortura%2B01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568361149778172866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Paraná – CDHC-OAB/PR recebeu Pedido de Providências nº 3224/2004CDH/OAB/PR, referente denúncia procedida pelas senhoras Celina Cordeiro Abagge e Beatriz Cordeiro Abagge perante o então Presidente da seccional do Paraná, Dr. Manoel Antonio de Oliveira Franco, com a entrega de Dossiê elaborado em 23 de novembro de 1992 pela então Presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, Dra. Isabel Kugler Mendes.&lt;br /&gt;Após a entrega do documento,   membros da família Abagge,  recebidos em audiência pelo Dr. Manoel Antonio de Oliveira Franco – então Presidente da OAB/PR – para saberem do encaminhamento dado às denuncias, foram pelo mesmo informados que tratava-se do processo mais importante  que, naquela ocasião, transitava pela Ordem e que estava sendo examinado pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania,  para posterior exame do Conselho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O processo das denúncias com seus respectivos documentos, encaminhado a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, presidida pelo Dr. Cleverson Marinho Teixeira, teve como relatora a Dra. Gertrudes de Abreu.&lt;br /&gt;No dia 31 de julho de 2007, a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Paraná emitiu Parecer ao Pedido de Providência nº 3224/2004, reconhecendo que Celina e Beatriz Abagge foram seqüestradas de sua residência, levadas para local ignorado e submetidas a torturas para confessar crimes dos quais são acusadas.  O Parecer mereceu aprovação unânime da referida Comissão.&lt;br /&gt;Do Relatório em questão destacamos algumas partes:&lt;br /&gt;“Contam as denunciantes Celina C. Abagge e Beatriz C. Abagge que no dia 02/07/1992 por volta das 8h30, vários policiais em número aproximado de 12 (doze) adentraram a residência das mesmas procurando a esposa (Celina) do então Prefeito, Aldo Abagge e a sua filha psicóloga, chamada Sheila. Consigna-se, no entanto, que foi presa a terapeuta ocupacional, de nome Beatriz.&lt;br /&gt;Perguntado, aos policiais, o porquê da procura das referidas mulheres, foi informada pelos mesmos que havia no Forum mandado de prisão em desfavor destas, sendo escoltadas pelos Policiais que ali se apresentavam, que dispunham da informação de que os atos constritivos de liberdade (mandado de prisão) encontrava-se com a juíza local que estaria à espera das mesmas.&lt;br /&gt;Ato contínuo chegou à residência dos Abagge, o assessor jurídico da Prefeitura, Dr. Silvio Bononi, o qual pediu esclarecimentos aos policiais presentes do porque não estariam munidos do mandado de prisão a que se referiam, e foi informado pelos Policiais novamente que este mandado estava de posse da Juíza da Comarca, e apenas lhes competia escoltá-las até o prédio do Forum, lhes informando o advogado que as mesmas iriam em seu veículo até a presença da autoridade judiciária.&lt;br /&gt;Quando chegaram ao Forum, emcaminharam-se à sala de audiências, esperando encontrar a Juíza local, mas para surpresa de todos os presentes, a mesma não se encontrava no Forum. No entanto, não lhes foram apresentados os mandados de prisão.&lt;br /&gt;As denunciantes Celina C. Abagge e Beatriz C. Abagge, informam que acreditando que seriam interrogadas na sala do juiz, acompanharam os Policiais Militares, pelo cartório cível, quando foram levadas repentinamente, ao interior de veículo dos mesmos policiais, o qual “arrancou” juntamente com outro veículo, em alta velocidade e dirigiram-se a local incerto e não sabido.&lt;br /&gt;Neste ínterim, o assessor jurídico da Prefeitura de Guaratuba, Dr. Silvio Bononi buscava informações a respeito do paradeiro de Celina C. Abagge e Beatriz C. Abagge, uma vez que os policiais militares não deixaram que o mesmo as acompanhasse.&lt;br /&gt;Destaca-se que o referido assessor jurídico do Município apenas ouviu o barulho de veículos saindo da frente do Forum, em alta velocidade, quando então, o Policial Militar que estava de “guarda” da porta da sala de audiências, informou ao mesmo e a Scheila (outra filha do ex-prefeito Aldo Abagge) que Celina e Beatriz não mais se encontravam no prédio do Forum, e que teriam sido conduzidas à sede da Polícia Federal em Paranaguá, onde seriam interrogadas.&lt;br /&gt;De posse desta informação, imediatamente deslocou-se até a Delegacia da Polícia Federal em Paranaguá, e para sua surpresa, foi lhe informado pelo Delegado Federal, que Celina e Beatriz não haviam sido levadas para lá.&lt;br /&gt;Tendo em vista o aparente desaparecimento de Celina e Beatriz, o já referido assessor jurídico, retornou a cidade de Guaratuba, procurando as mesmas, no Forum, na Delegacia e na estrada de acesso a Santa Catarina, porém, sem êxito.&lt;br /&gt;Somente por volta das 15 horas, o assessor jurídico, Dr. Sílvio Bononi, retornando mais uma vez ao Forum, constatou que Celina e Beatriz lá estavam em companhia dos Policiais Militares que as haviam retirado abruptamente pela manhã. Demonstravam-se abatidas e em visível estado de choque, o que levou o mesmo a solicitar ao Promotor de Justiça, a presença do Médico da família, Dr. Acemar Silva, para verificar as condições de saúde física e psicológica das mesmas.&lt;br /&gt;Relatam as denunciantes Celina Cordeiro Abagge e Beatriz Cordeiro Abagge que foram colocadas no interior de um veículo Gol de cor branca, e levadas em direção a Garuva, e que mesmo estando com o rosto coberto identificaram a estrada porque no meio do caminho mãe e filha foram separadas.&lt;br /&gt;Dizem ainda, que foram levadas ao interior de uma casa, colocadas em quartos distintos, com vendas nos olhos, e lhes foi dito pelos policiais de que as mesmas deveriam dizer o que eles queriam, “se não fosse por bem seria por mal”.&lt;br /&gt;Conta Beatriz Cordeiro Abagge, que por insistir em negar os fatos que os policiais lhes impunham em dizer, um dos policiais tirou-lhe a roupa e lhe disse que 16 (dezesseis) policiais iriam estuprá-la, que chegaram a praticar atos libidinosos contra a mesma, e quando reagiu, levou um tapa e veio a desmaiar.  &lt;br /&gt;Contam Beatriz C. Abagge e Celina C. Abagge que sofreram afogamento por água e sabão, socos e tapas, mais choques elétricos com arames amarrados nos dedos, chegando ambas a urinar e evacuar nas calças.&lt;br /&gt;Foi relatado por Celina e Beatriz que ouviam vozes uma da outra em total desespero, o que, por estarem de olhos vendados, causou-lhes extremo sofrimento psicológico.&lt;br /&gt;Que diante dos sofrimentos físicos e psicológicos, relatam as mesmas que os policiais se mostraram satisfeitos com as respostas que eles mesmos mandavam elas repetirem, conforme depreende-se da fita cassete da suposta confissão, que posteriormente foi degravada.&lt;br /&gt;Relatam, ainda, que somente foram ouvidas na presença de advogado, promotores de justiça, e delegado, no período da noite do mesmo dia 02/07/1992, no interior do Batalhão da Polícia Militar de Matinhos, quando negaram veementemente qualquer participação nos aludidos fatos, bem como relataram as sevícias que sofreram pelos Policiais Militares que as conduziram.&lt;br /&gt;Na mesma noite, foram as mesmas levadas para o Batalhão da Polícia Militar Feminina em Curitiba, e no dia 03/07/1992 foram encaminhadas à Secretaria de Segurança Pública do Estado, e posteriormente ao Instituto Médico Legal, onde não foram examinadas, e sim apenas foram constatadas lesões aparentes. Salienta-se que a dita verificação ocorreu na presença de uma policial militar fardada e foi superficial, contudo algumas marcas ainda persistem até o presente momento, afora as marcas psicológicas”. E segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi aberto Inquérito Policial registrado sob nº 237/1992, na cidade de Paranaguá/PR, visando apurar as denúncias aqui relatadas, sendo o mesmo arquivado pelo magistrado local em 30/08/1994, que acolheu integralmente o parecer ministerial, que pugnava pela inexistência de materialidade, aliada à ausência de autoria das alegadas torturas físicas, pois as supostas vítimas apresentaram pequeníssimas lesões, quase imperceptíveis, devendo estas serem atribuídas, sem dúvida, à forma pela qual se deu o cumprimento dos mandados prisionais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Seguem os documentos anexados).&lt;br /&gt;O Relatório da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da OAB/PR conclui que:&lt;br /&gt; “(...) De acordo com todos os documentos que instruem o presente, tal fato caracteriza, em tese, o crime de seqüestro, onde foi relatado pelas mesmas, a ocorrência também de sevícias e com estes atos foi obtida “dita” confissão forçada, o que caracteriza, ainda, em tese, o crime de tortura física, psicológica e moral.”&lt;br /&gt;Sobre a confissão, o Relatório lembra que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “(...) a confissão ocorreu sem a presença do advogado de Celina C. Abagge e Beatriz C. Abagge, bem como, sem a presença dos Promotores de Justiça e da Juíza de Direito (...), contrariando o Artigo 5º da Constituição Federal.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre as torturas sofridas por Celina e Beatriz Abagge:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; “De acordo com as declarações prestadas por Celina C. Abagge e Beatriz C. Abagge, em todos os feitos em que foram ouvidas, bem como neste procedimento, foram as mesmas submetidas à tortura por policiais militares. Tais declarações estão corroboradas com os laudos de exames de lesões corporais a que foram submetidas, no dia 03/07/1992, que concluem pela ofensa à integridade física das mesmas”.&lt;br /&gt;Finalmente, na Conclusão do Relatório, temos o seguinte:&lt;br /&gt; “Pode-se afirmar ainda que Celina Cordeiro Abagge e Beatriz Cordeiro Abagge, foram torturadas pelo próprio processo penal, que não possuindo “rainha das provas”, toma confissões sob tortura, como a “prova mãe”.&lt;br /&gt;O Parecer, ressalte-se, foi aprovado pela unanimidade dos membros da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/PR.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-3794357515112723307?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/3794357515112723307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2011/01/comissao-de-direitos-humanos-confirma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/3794357515112723307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/3794357515112723307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2011/01/comissao-de-direitos-humanos-confirma.html' title='Comissão de Direitos Humanos confirma que Celina e Beatriz Abagge foram torturadas para confessar'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/TUbK9pmdG8I/AAAAAAAAAVg/5Faztt1lUDs/s72-c/tortura%2B01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-3007909295129806040</id><published>2009-10-12T07:46:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:48:40.114-07:00</updated><title type='text'>Os segredos do Caso Guaratuba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StNBeBjUVcI/AAAAAAAAAFo/ziUwV_sngc8/s1600-h/celina+5+site.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 121px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StNBeBjUVcI/AAAAAAAAAFo/ziUwV_sngc8/s200/celina+5+site.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391725162961065410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Na foto ao lado, Beatriz e Celina Abagge, vítimas de tortura, sequestro e prisão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta edição trazemos aos nossos leitores uma reportagem especial, verdadeiro jornalismo investigativo, sobre os bastidores do Caso Guaratuba.&lt;br /&gt;Nos últimos anos diversos casos chegaram ao conhecimento da opinião pública sobre problemas nas investigações policiais, entre os quais o Caso dos Irmãos Naves, em Minas Gerais, que foram mortos sob tortura, e o tempo provou que tratava-se de inocentes.&lt;br /&gt;Quem não se lembra da Escola Base, de São Paulo? Os diretores foram acusados de pedofilia, a escola foi fechada, famílias foram destruidas, e depois se provou que a &lt;br /&gt;denúncia era falsa, motivada por vingança.&lt;br /&gt;Quantos e quantos exemplos se repetem pelos presídios e cadeias do Brasil? Quantos inocentes pagam sem culpa, cumprem pena sem dever, enquanto os verdadeiros &lt;br /&gt;criminosos estão em liberdade?&lt;br /&gt;Esta reportagem mostra fatos que não foram divulgados pela imprensa, ou, se foram, não tiveram a repercussão da revolta e indignação popular com o Caso Guaratuba, quando sete pessoas foram presas e acusadas de assassinar uma criança em ritual de magia negra na cidade de Guaratuba. &lt;br /&gt;O fato foi noticiado nos principais jornais e revistas do mundo, o que estimulou muita gente a manter a história como estava, apesar de - sabemos hoje - diversos problemas constatados durante as investigações, entre os quais falsificação de provas, confissões sob torturas, laudos técnicos suspeitos, ameaças de morte, entre outros, conforme o leitor ficará sabendo a partir da leitura desta reportagem.&lt;br /&gt;Nossos entrevistados são profissionais liberais que goazam do maior respeito e consideração em nossa sociedade. Personalidades famosas, como os falecidos Arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, o general Ítalo Conti, o frei Miguel Botassin, entre outros, ergueram suas vozes pedindo justiça para os sete acusados, mas não foram ouvidos. &lt;br /&gt;O que teria acontecido? Uma sucessão de erros, uma soma de interesses, o clamor popular diante do desaparecimento de crianças em nosso litoral, tudo isso foi o motor para que se cometesse no Paraná um dos maiores crimes da história deste país. Um crime onde famílias foram destruídas, pessoas morreram de tristeza e de sofrimento diante de uma injustiça sem igual. Torturaram pessoas de bem, para obter confissões, e condenaram pessoas inocentes a sofrimentos horríveis, manchando nossa história. &lt;br /&gt;Este é um silêncio de chumbo que não quer calar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-3007909295129806040?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/3007909295129806040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/os-segredos-do-caso-guaratuba.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/3007909295129806040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/3007909295129806040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/os-segredos-do-caso-guaratuba.html' title='Os segredos do Caso Guaratuba'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StNBeBjUVcI/AAAAAAAAAFo/ziUwV_sngc8/s72-c/celina+5+site.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-7996197204857659344</id><published>2009-10-12T07:24:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:26:16.148-07:00</updated><title type='text'>Uma jornalista investiga e desvenda os fatos e segredos do Caso Guaratuba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM8ZEwYHXI/AAAAAAAAAFI/LwWwez9Mso4/s1600-h/vania+2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM8ZEwYHXI/AAAAAAAAAFI/LwWwez9Mso4/s200/vania+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391719580363660658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A jornalista Vania Mara Welte, é um dos nomes de maior prestígio na imprensa nacional, por sua conduta ética, inteligente e competente. Ex-professora da Universidade Federal do Paraná e Tuiuti, Presidente do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Paraná, Presidente da Ciranda - Central de Noticias do Direito da Infância e da Adolescência. Única jornalista mulher, no Paraná, a ter um Prêmio Esso de Jornalismo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fale sobre as contradições do processo de Celina e Beatriz Abagge.&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Eu começo dizendo que ninguém é santo, nem eu. Mas como podem ser acusadas pessoas como Celina e Beatriz Abagge que sempre cuidaram de crianças necessitadas, uma como primeira dama de Guaratuba, outra como filha do prefeito? Vamos imaginar: mesmo que tivessem feito isso, essas duas mulheres, e mais os cinco homens acusados, tinham uma vida anterior ilibada. E, como eu disse, ninguém é santo, mas são pessoas decentes, de bem. Até Dona Celina e Beatriz são pessoas não só de bem, mas como “de bens” (materiais), então para que fazer isso? Outra contradição é a de que ninguém vira assassino, de forma cruel, desumana, aviltante, horrorosa como essa, da noite para o dia. Essas pessoas não poderiam fazer isso, não cabe na cabeça de qualquer ser humano normal que isso possa acontecer. Além do mais são sete pessoas, exceto mãe e filha, que não se conheciam  bem entre si. Mas vamos supor que isso pudesse ter acontecido. Você acha normal que sete pessoas, que mal se conheciam entre si – exceto mãe e filha -, planejem juntos um crime hediondo como esse, sem que haja o elo de confiança entre todas elas? Ninguém vai planejar um assalto a um banco sem ter certeza de que são pessoas que merecem total confiança entre si. Outra coisa, sete pessoas iriam cometer um crime hediondo, e nenhuma iria dizer “mas contra uma criancinha?” Ou elas surtaram todas ao mesmo tempo? Não, porque eram todas pessoas normais, então não houve surto, nenhum ataque psicótico, quer dizer, houve sim uma montagem monstruosa que foi construída, urdida, nos bastidores do poder e em outros bastidores, mas usando as vítimas que são essas crianças que desapareceram. E não são só elas. São quase 30, ou mais no Paraná. Não estou muito a par, hoje em dia, mas na época eram mais de 20 crianças desaparecidas, e só em Guaratuba já era a segunda criança a desaparecer. E como que, de repente, essas pessoas se tornaram vitimas dessa trama, que foi urdida nos bastidores do poder, tão vítimas quanto as famílias dessas crianças que desapareceram. E que até hoje não foram encontradas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tanta contradição, por que não há uma investigação em cima dos abusos ocorridos nesse processo? Diante das provas que foram forjadas, por exemplo?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Quando há um crime, isso é um fato bem corriqueiro, a primeira pergunta que se faz é “a quem interessa este crime?” Este crime interessaria a essas sete pessoas? Ou a idéia deste crime, a montagem dessa trama interessaria a outras pessoas? Então se essas outras pessoas têm mais poder do que essas sete que foram acusadas, você acha que alguém vai querer investigar alguma coisa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então nós somos obrigados a acreditar na impunidade, uma vez que havia poderes interessados em manter essa história para destruir a vida do finado ex–prefeito Aldo Abagge, com todas as implicações políticas que havia, e em função disso você acredita que nós teremos pela frente a impunidade deste caso?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Eu não acho, por exemplo, que esta trama foi urdida para destruir a vida do prefeito Aldo Abagge. Eu percebo que foi urdida por pessoas que achavam que o caso não ia ser tão grande, que o fato não tomasse proporções tão gigantescas. Só que, à medida em que o caso foi crescendo, foi ganhando outras tintas: tintas de autoridades, da própria mídia, e também da população, que preferiu acreditar no mal e não no bem. Então todas essas coisas fizeram com que esse caso se tornasse um caso marcante, um caso histórico. E, na verdade, se trata de um dos maiores erros judiciários do país. Como o caso da Escola de Base, dos Irmãos Naves, do Bar Bodega, e tantos outros que nem chegam ao conhecimento da população.  Eu acho que a população, hoje, está mais esclarecida, com uma percepção um pouco melhor. A própria mídia mudou, ela já não acusa as pessoas, e já existe aquela palavra, até usada em demasia, o “suposto” crime, o “suposto” assassinato, o “suposto” corpo. É uma palavra usada até em exagero, mas pelo menos mostra que há uma nova visão, um novo olhar, um novo modo de encarar o ser humano. No entanto, é da natureza humana acreditar que o outro é o mal, o assassino cruel. Os meus são bons. Acho que chegou a hora de uma reflexão maior sobre o próximo. Temos de entender que se há crianças desaparecidas, exploradas sexual e comercialmente, eu tenho alguma coisa a ver com isso, não como assassina ou como algoz, mas como ser humano, que devo preservar e respeitar os nossos semelhantes, os nossos pequenos, o nosso vizinho, o nosso amigo, o nosso semelhante. Somente a partir deste comportamento, as coisas podem começar a mudar um pouco. Eu observo que todos nós, enfim, o povo está cansado de corrupção, de mentira, de safadeza. Eu acredito que é umaoportunidade que está se dando à sociedade para que se faça um mea culpa, mais uma vez, no caso que ficou conhecido como “Caso Evandro Caetano” o qual a mídia alcunhou “As Bruxas de Guaratuba”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O comportamento da mídia foi adequado na época?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Como eu vou julgar? Se eu coloco meu &lt;br /&gt;dedo em riste eu estou acusando. A mídia não estava preparada para isso. Nós cometemos erros, exageros. Mas como não confiar quando a autoridade maior chega e diz à mídia que aconteceu isso e aquilo? Ora, se é a autoridade maior que está falando, seria normal acreditar. Hoje a mídia entende que esta autoridade é tão falível quanto qualquer outro ser humano e ela tem de ser questionada, sim. É isso que a mídia aprendeu e também a respeitar o outro, o próximo. Foi uma grande lição e nós estamos aprendendo e, a cada dia, aprendemos mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que você tem a dizer do Júri mais longo da história do Paraná?&lt;br /&gt; Vania Mara Welte: O Júri, o julgamento em si, foi muito difícil, muito sofrido, principalmente para os acusados, que tiveram que reviver todo o drama já vivido, de dores, de sofrimento, de frustrações, de indignação, de tortura. E, ao mesmo tempo, para quem acredita, acreditava, e ainda acredita na inocência, é um sofrimento muito grande, porque você não sabe o que se passa na cabeça dos jurados. Mas de qualquer forma todas as pessoas que foram chamadas pelo Ministério Público para depor contra as acusadas, acabaram mostrando cada vez mais, e com maior clareza, a inocência de todos eles, e isso foi muito bonito de se ver.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então, o final da sentença, foi pela absolvição das duas acusadas e, infelizmente, houve um erro no julgamento que acabou permitindo a convocação de outro julgamento?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: A sentença foi dada de uma forma que permitiu uma brecha para que o Ministério Público recorresse, mas se todos os ministros tivessem tido o cuidado de ler o processo inteiro, e quem tiver o cuidado de ler todo o processo, veria que não só as duas mulheres, as duas Abagge, como os cinco homens são inocentes. E elas já foram proclamadas inocentes uma vez. Sérgio Cristopholini e Airton Bardelli também foram absolvidos. E de uma forma estúpida os três homens mais pobres, em um julgamento açodado, que não deu tempo para nada, nem para ouvir todas as testemunhas, foram considerados culpados. Eu acho que esse julgamento vai dar a chance que se mostre mais uma vez que eles são inocentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Você está escrevendo um livro sobre este caso?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Eu já escrevi. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E tem lançamento previsto?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Não tem lançamento previsto. Primeiro porque há algumas discordâncias em relação ao nome do livro. E eu acho que o nome não tem nada a ver porque o caso ficou conhecido como “As Bruxas de Guaratuba”, e se eu não coloco, no título do livro, esse nome, pouca gente vai se interessar em ler. Simplesmente porque o nome “As Bruxas de Guaratuba” já chama a atenção e as pessoas vão ler. Eu não chamo a atenção para afirmação que essas pessoas são bruxas.  Ao contrário. Eu chamo a atenção para que as pessoas leiam a verdade, nada mais do que a verdade. E é com essa intenção que eu escrevi o livro, para que ninguém mais cometa os erros que todos nós  já cometemos. E também quanto a questão da publicação do livro, algumas pessoas têm medo de processo, porque nesta obra  todas as pessoas estão despidas e são mostradas na sua realidade total. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Você foi uma das raras jornalistas que, desde o inicio, questionou os dois lados dessa noticia e apresentou claramente a posição dos sete acusados. Como você se sentiu nesse papel de ser uma minoria na imprensa paranaense?&lt;br /&gt;Vania Mara Welte: Por questão de justiça, eu não fui a primeira, houve a Mira Graçano, Luís Henrique, Elza Oliveira Filha, Roberto Massignan, o companheiro do Roberto Massignan, que me escapa o nome agora, são pessoas que tentaram mostrar que alguma coisa estava errada. Eles quiseram colocar o controverso da história. Mira Graçano e Luís Henrique fizeram uma gravação para TV, mas não tiveram autorização para veicular a matéria. Roberto Massignan e o seu colega de jornal publicaram o texto controverso no Jornal Gazeta do Povo.  Mas, no dia seguinte, a sede da Gazeta do Povo foi apedrejada. E Elza Oliveira foi questionada pela chefia.  O editor-chefe lhe perguntou: “como ela questionava um fato que a mídia do Brasil inteiro afirmava ser uma realidade?”  matéria também não foi publicada. Elza se sentiu muito mal. Ela até pensou em pedir demissão, mas o marido dela estava sem emprego e eles têm filhos... Mesmo assim, Elza ficou umas duas semanas sem ir trabalhar, de tão mal que ficou. No entanto, quando eu comecei a trabalhar no caso já havia se passado alguns anos e todos os acusados estavam presos. Eu comecei a trabalhar pensando que eles eram culpados, tanto que, quando eu comecei a ler tudo o que foi publicado sobre o caso, comecei a descobrir todas as incoerências, todas as falhas... Até no processo. Tempos depois, junto com alunos da Unicenp, levantamos mais de 40 erros no processo. &lt;br /&gt;Eu percebi que, na época, estava sendo preconcei-tuosa e julgando sem conhecer todos os fatos. Aprendi a lição. Mas durante esse período em que eu trabalhei, que eu investiguei, eu era chamada pelos colegas que me perguntavam como eu tinha coragem de jogar fora todo o meu capital de trabalho, todo o conceito que eu construí, ao longo da vida profissional, defendendo essas pessoas? E eu dizia que não estava defendendo assassinos. Eu defendia verdade. E, graças a Deus, a verdade é o que há de mais forte na vida.  E, por mais difícil que seja, a verdade sempre prevalece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-7996197204857659344?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/7996197204857659344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/uma-jornalista-investiga-e-desvenda-os.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/7996197204857659344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/7996197204857659344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/uma-jornalista-investiga-e-desvenda-os.html' title='Uma jornalista investiga e desvenda os fatos e segredos do Caso Guaratuba'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM8ZEwYHXI/AAAAAAAAAFI/LwWwez9Mso4/s72-c/vania+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-4751837860506568762</id><published>2009-10-12T07:20:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:24:37.435-07:00</updated><title type='text'>“Enquanto Beatriz era violentada sexualmente pelos policiais, Celina levava choque elétrico nos seios, enquanto eram interrogadas."</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM7pHJVQjI/AAAAAAAAAFA/83Rybi04uvQ/s1600-h/omar+1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 124px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM7pHJVQjI/AAAAAAAAAFA/83Rybi04uvQ/s200/omar+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391718756371481138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado Omar Elias Geha é um dos mais respeitáveis da cidade, integrante do renomado escritório OD ROCHA Advocacia.&lt;br /&gt;Na entrevista a seguir ele fala sobre o “Caso Guaratuba”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;As acusações contra Celina e Beatriz Abagge foram bem fundamentadas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar Elias Geha -  De início, cabe esclarecer que a defesa nunca admitiu aquele cadáver como sendo do menor Evandro, suposta vítima de um também suposto ritual satânico!&lt;br /&gt;Entretanto, o Estado acusador (leia-se: o Ministério Público), na fiel crença da efetiva ocorrência do suposto ritual, num desforço hercúleo, tentou de todas as maneiras provarem o alegado. Vale dizer: que o menor Evandro fora efetivamente morto num ritual satânico e tendo como seus autores, as pessoas de Celina Abagge, Beatriz Cordeiro Abagge, Osvaldo Marceneiro, Vicente de Paula Ferreira, Davi dos Santos Soares, Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini, tudo motivado, conforme alegam, para que a família Abagge fosse afortunada e obtivessem sucesso na política, o que, com o devido respeito, não nos parece crível, já que detinham significativo patrimônio, bem como o saudoso Aldo Abagge era Prefeito de Guaratuba.&lt;br /&gt;De qualquer sorte, a fim de provarem o alegado, apoiaram-se não só em depoimentos suspeitos (quer na forma de sua obtenção, quer na credibilidade e sustentabilidade de seus testemunhos, como também nas pessoas dos depoentes), mas também e, principalmente, nas “provas técnicas” produzidas na fase investigatória. Ou seja, exame de DNA, da arcada dentária, e a degravação de uma fita K7 onde continha suposta confissão de Celina Abagge e de Beatriz Cordeiro Abagge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, numa análise cautelosa na forma de obtenção dessas provas bem como das soluções a elas dadas, chegar-se-á à conclusão de que todas são questionáveis, senão até imprestáveis para se formar um juízo de admissibilidade da acusação, quanto mais a uma condenação. Tanto é assim, que os Senhores Jurados da Comarca de São José dos Pinhais, foro do julgamento à época, após trinta e quatro (34) dias de julgamento, decidiu pelo não reconhecimento da materialidade, ou seja, que o cadáver não se tratava de Evandro Ramos Caetano.&lt;br /&gt;Em suma: dissecadas todas as provas arrecadadas tanto durante a fase de investigação quanto na fase processual, quer pela Defesa quer pela Acusação, chegou-se à conclusão que assistia razão à Defesa, que sempre sustentou não só a inocência de todos os acusados sob o manto da inexistência da ocorrência do fato, bem como que aquele cadáver não se tratava de Evandro Ramos Caetano. &lt;br /&gt;Deve-se ressaltar que durante o julgamento a Defesa questionou os reiterados indeferimentos por parte do e. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná da exumação do corpo para uma nova perícia com o acompanhamento da Defesa, até que, surpreendentemente, o órgão da Acusação, na pessoa do falecido Celso Luiz Peixoto Ribas, soltou a pérola: “Os Srs. insistiram na exumação porque sabiam que lá só existem pedras”. Ora, ele então sabia que lá só havia pedras???&lt;br /&gt;A verdade, é que o exame de DNA não obedeceu a critérios técnicos, quer na colheita do material a ser periciado, quer na sua realização e solução da prova. O exame da arcada dentária se baseou numa “descrição mental” por parte da dentista Drª. Adaira Kessin Elias que tratava do menor Evandro e admitida pela perita odontóloga Drª. Beatriz Sotille França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O caso do menino Evandro de Guaratuba foi bem conduzido desde o início?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Sob minha modesta óptica, não. Nem poderia, haja vista a grande comoção que tomou conta da população na época, além da pressão exercida tanto por parte da mídia como por parte dos poderes constituídos sobre as autoridades policiais encarregadas da investigação, que exigiam uma solução rápida. Ou seja, traga-me um culpado. &lt;br /&gt;Basta lembrar que antes do sumiço do menor Evandro no mês de abril de 1992, havia sumido no mês de fevereiro, o menor Leandro Bossi que “estranhamente” não teve a mesma repercussão que tomou o caso Evandro. A resposta é simples: na família de Leandro, não havia um membro da família ávido por vingança como tinha na de Evandro, qual seja: Diógenes Ramos Caetano, padrinho deste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Onde entra Diógenes Ramos Caetano nesta história?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Diógenes era padrinho de Evandro, muito embora nunca o visitasse. Inimigo mortal da família Abagge, quer por questões de ordem pessoal, quer por questões políticas, principalmente estas, já que nesta seara nunca obteve sucesso. De início já acusava a família Abagge de terem sido os mandantes do crime. E não é só! A versão trazida sobre a suposta ocorrência de um ritual satânico também é dele, bem como o motivo, que seria a riqueza e sucesso na política. Aí onde começa todo o equívoco, pois à época já se tratava de família abastada como também estavam na política. No entanto, admitiu-se essa versão. Para tanto, basta visualizar as fitas de VHS juntadas aos autos obtidas junto às emissoras de televisão que narravam os fatos 24:00 por dia para se ver que Diógenes estava em todas.&lt;br /&gt;Portanto, foi a partir das acusações de Diógenes que se seguiu essa linha de investigação.&lt;br /&gt;Ressalte-se que o próprio Delegado de Polícia que iniciou as investigações, Dr. Adauto Abreu de Oliveira, quando de sua oitiva em plenário, foi taxativo em afirmar que todas as informações que lhe chegavam, principalmente por parte de Diógenes, eram checadas, e absolutamente nada se confirmava. Basta lembrar que por diversas vezes estiveram na serraria do falecido Aldo Abagge com uma equipe enorme de PM’s e Policiais Civis com retroescavadeira e inúmeros outros aparatos e reviraram-na de perna para o ar na “tentativa” de encontrar o corpo, pois dizia ele que era ali que se encontrava, e nunca encontraram nada. Sem contar nas reiteradas varreduras que fizeram em busca de vestígios de sangue e de objetos (supostos instrumentos do crime: serra, faca, facão, etc) que indicasse ter havido naquele local o tão decantado “ritual satânico”. Tudo infrutífero. Vindo “um corpo” que dizem ser de Evandro a ser encontrado um bom tempo depois em lugar bem distante da serraria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que se sucedeu após a achada do cadáver que dizem ser de Evandro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Este é um dos pontos intrigantes do processo. Neste mesmo local onde foi encontrado o suposto corpo de Evandro, já tinha estado neste local, o Grupo Tigre juntamente com caçadores acompanhados de cães e nada foi encontrado. Estranhamente, logo após esta varredura, já no dia seguinte aparece um cadáver no local. Em frente ao local onde foi achado este cadáver, residia um cidadão cujo nome não me recordo até em decorrência do tempo transcorrido, mas se não me falha a memória o apelido era “barba”, que declarou ter visto Diógenes acompanhado de terceira pessoa numa certa noite retirando de seu veículo (de Diógenes), Opala, um saco preto ou escuro e jogado naquele local. E surpreendentemente dois fatos estranhos aconteceram: primeiro, foi que o “corpo” da forma que se encontrava, diante do estágio adiantado de putrefação, guardava relação com o tipo de acusação que fazia Diógenes, ou seja, de que haviam sido tiradas as vísceras para a prática do suposto ritual; e, segundo, que pouco tempo depois do depoimento prestado pelo tal “barba”, ele não só desapareceu (sendo preso muito tempo depois acusado por tráfico de drogas), como também o seu “barraco” foi incendiado. Aliás, o que tentaram fazer com a serraria de Aldo Abagge tempos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como se deu a entrada da Polícia Militar e da Polícia Federal no caso, já que como sabemos, a competência para investigar a prática de crimes é da Polícia Civil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Quanto à Polícia Federal pelo que me recordo, salvo engano, entrou no caso mediante solicitação da Drª Anésia Edith Kowalski, MM. Juíza de Guaratuba, em vista da estreita ligação que ela tinha com o Delegado da PF, Dr. Chueiri. Ao passo que com relação à PM, sua participação decorreu do fato de que Diógenes, insatisfeito com o curso das investigações, se fazendo acompanhar de um parente seu, um oficial da PM, se dirigiram à Coordenadoria da Promotoria Criminal e, em contato com o ex-Procurador do Ministério Público, hoje advogado criminalista, Dr. Celso Carneiro do Amaral, e presta um extenso depoimento trazendo a estória que todos já sabemos, mas também acusa uma série de pessoas, mais de vinte, e dentre elas, os já mencionados acusados. Através deste depoimento e já tendo os personagens previamente escolhidos (os 7 acusados – número cabalístico), obtiveram os mandados de prisão. Neste ponto tem mais interrogações!!! Narrou Celina Abagge à época, que amanhecendo o dia, sua casa foi invadida por inúmeras pessoas que se diziam policiais, além dos inúmeros que se encontravam do lado de fora, por óbvio, para evitar qualquer fuga. Ao serem questionados sobre o que estava acontecendo, e eles simplesmente queriam saber onde estava a psicóloga e quem era a psicóloga. O que prova que sequer sabiam quem deveriam prender, exceto Celina. A psicóloga é Scheila. Neste ínterim, aparece Beatriz que acabara de levantar assustada com o barulho. Na ausência da psicóloga, foi Beatriz mesmo, pois não podiam mais esperar, já que a comunidade começava a se aglomerar em frente à casa. E, após praticamente arrastarem para fora as duas, de imediato colocaram-nas dentro de um carro e se dirigiram ao Fórum, dizendo que a magistrada as aguardava. Ocorre que não havia magistrada alguma esperando, era tudo um ardil já adredemente preparado. Levadas ao Fórum, fizeram contato com o advogado da Prefeitura, Silvio Bononi, e mesmo na presença deste, após despistarem-no, as tiraram dali, colocando-as uma em cada carro e encapuzadas, tomaram rumo “desconhecido”. Rumo este que se descobriu mais tarde tratar-se da chácara do pai de Diógenes Caetano, denominada pelo Prof. Ronaldo A. Botelho de Casa dos Horrores, posto ter sido este o local onde afirmam terem sido torturadas pela nossa gloriosa PM, mais propriamente pela PM2 (Grupo Águia) sob o comando do até então Cap. Waldir Copetti Neves, hoje coronel. Retornando aos mandados de prisão, provou-se durante o julgamento, que em relação a Celina e Beatriz, o horário ali preenchido não correspondiam com a verdade, bem como que não foram elas que o consignou e sim terceira pessoa, além do que em momento algum até o fim da tortura lhes haviam mostrado qualquer mandado de prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E as prisões dos demais acusados como se deram?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Pelo que me recordo Vicente foi preso em Curitiba, ao passo que Osvaldo, Davi, Cristofollini e Bardelli, foram em Guaratuba. Vicente afirma que a tortura contra ele já começou no caminho onde chegou a ser pendurado no viaduto dos padres e ameaçado de ser jogado dali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sim, mas quais elementos de provas ou indícios que tinham contra os acusados?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Nenhum, exceto as acusações de Diógenes Ramos Caetano, e isso é que mais choca. Não bastasse isto, o que faz o MD. Procurador, Dr. Celso Carneiro do Amaral? Sob o comando do Cap. Neves, dois policiais foram designados para irem na residência do Perito Audrey, a fim de obterem o laudo de necropsia. Como o laudo não se encontrava na posse deste, o mesmo foi conduzido ao IML a fim de entregar-lhes o laudo, o que se deu por volta das 19:00 horas.  E é com base nas lesões ali descritas que se dá todo ritual das severas torturas inflingidas aos acusados, a fim de obterem uma confissão, principalmente em Celina e Beatriz, conforme se provou através da exibição da fita K7 onde demonstra claramente que duas pessoas, além de Beatriz, participam do interrogatório. Para ser mais claro, enquanto um pergunta à Beatriz o que ela fez e ela sem saber o que responder ou o que deveria responder, esta segunda pessoa dizia a ela o que deveria responder, e ai Beatriz dizia: então tá, eu fiz tal coisa. No tocante à Osvaldo, Vicente e Davi, os três são firmes em seus depoimentos em afirmar de terem sidos torturados na casa de Alfredo Strossner (ex-,Presidente do Paraguai), em Guaratuba. A ocorrência da tortura é tão evidente, que dias antes de se sibmterem ao julgamento popular na cidade de São José dos Pinhais, haja vista que eram os três que iam a julgamento primeiro, esteve na residência onde os dois primeiros se encontravam (estavam em prisão domiciliar), o repórter Ari Soares onde fez uma reportagem com ambos, bem como fotografou e filmou as lesões ainda existentes em ambos, dizendo que iria exibi-las. No entanto, ... . Um exemplo era a marca de um anel de três voltas no pênis de Osvaldo em decorrência dos choques elétricos. Ao passo que as torturas perpetradas em Celina e Beatriz pelas suas narrativas, enquanto Beatriz era violentada sexualmente pelos policiais, Celina levava choque elétrico nos seios, sem contar que Beatriz enquanto era “interrogada” também levava choques. Afirmam categoricamente, ainda, que, quando chegaram a Matinhos, estiveram no local o então Secretário de Segurança Pública, à época, o Dr. Moacir Favetti acompanhado do Cel. Capriotti, onde este, em contato com ambas e a quem chamava de compadre, e disse Celina a ele: “Olha o que fizeram com a gente”, pois estavam defecadas, urinadas e com sangue, onde obtiveram como resposta: “Calma comadre, já vamos resolver isso”. E resolveram: 3 anos e 9 meses aproximadamente presas no presídio e mais 3 anos em prisão domiciliar. Recordam do caso Ferreirinha? Os personagens são os mesmos: Moacir Favetti, Valdir Copetti Neves, etc. No governo de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como os advogados obtiveram esta fita?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Este é um fato curioso! A fita que estava, ou deveria estar nos autos, até para efeito de perícia já que se questionava não só o seu conteúdo, mas também a forma de sua obtenção, posto que como é de conhecimento de todos, a prova obtida por meios ilícitos é nula, ou seja, não se presta como prova para uma eventual condenação, o que acontece? Simplesmente, some. E quem nos entrega uma cópia da fita é o próprio Ari Soares. E foi somente através dessa fita que pudemos provar, de forma clara e insofismável, que Beatriz e Celina foram severamente torturadas para fins de obtenção de uma “confissão”. E o mais incrível disso tudo, é que passado algum tempo depois do julgamento delas, num congresso ocorrido na cidade de Londrina-PR sobre fonética forense, um dos palestrantes que se não me falha a memória é de Salvador-BA, dá como exemplo uma perícia por ele realizada a requerimento e pagamento feito pelo Ministério Público do Paraná e que soube posteriormente que referido trabalho não foi utilizado. Sabendo, entretanto, que um perito aqui do Paraná havia feito o mesmo tipo de trabalho. E que perícia era esta? Nesta mesma fita K7. Aí é de se perguntar: a) porque o MP não utilizou esta fita? Porque não juntaram aos autos referida perícia? É a fita que sumiu do processo? O Ministério Público com a palavra. Agora, me parece que depois que tal fato veio a público, referida perícia foi juntada aos autos, após interpelação judicial levada a efeito pelo Prof. Ronaldo Antonio Botelho, atual advogado delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E o que diz o hoje coronel Waldir Copetti Neves a respeito da fita?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – A alegação é de que elas mentem, haja vista que ele afirma que a fita foi gravada no percurso de Guaratuba a Matinhos, já que Matinhos fora o local onde montaram o seu QG. Ora, alguém já levou doze horas para fazer este percurso, ainda que em época de temporada, o que não era o caso? A tese do Sr. Neves cai por terra quando está provado nos autos através da degravação da fita que a voz de Osvaldo Marceneiro aparece na fita da confissão de Celina e Beatriz. Como pode se Osvaldo deveria estar em Matinhos? O problema é que até hoje nunca ninguém conseguiu ouvi-lo. No julgamento ocorrido de Bardelli e Cristofollini onde estava arrolado como testemunha, este simplesmente apareceu com um atestado médico que o proibia de depor, pois alegava estar doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sim, quanto à autoria, pelo seu relato, pode até a dúvida ser maior do que a certeza de que foram eles que cometeram o crime, mas quanto ao corpo ser ou não de Evandro, qual é a dúvida, já que existe laudo de exame de DNA que atesta ser dele como também o exame de arcada dentária?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Vamos por partes. Antes de adentrarmos nesta seara, cabe ressaltar que os indícios existentes que apontavam para a pessoa de Evandro Ramos Caetano como sendo o corpo ali encontrado, era que foi encontrado junto ao corpo, um molho de chaves da casa de Evandro, chinelo que pertencia a este, bem como que o corpo vestia um calção semelhante a um que Evandro sempre vestia. Tanto é assim, que a foto utilizada nos “foldeers” espalhados pelo Brasil afora sobre crianças desaparecidas (o que é incrível, posto que já o tinham como morto) Evandro aparece com uma bermuda semelhante ao encontrado no referido corpo. Ocorre que a bermuda que vestia o suposto Evandro, era evidente ser desproporcional tanto ao da foto utilizada quanto ao que vestia aquele corpo, ou seja, enquanto na foto a bermuda ia até o joelho, a que vestia o cadáver, ia até a virilha e não fechava. Traçando um paralelo a isto, foi encontrado, pouco tempo depois, distante uns trezentos metros, aproximadamente, não um corpo, mas sim uma ossada, também com pertences de Leandro Bossi (não me recordo ao certo do que se tratava, mas provavelmente um par de chinelos e uma camiseta), onde não só passaram a suspeitar que tivesse sido vítima das mesmas pessoas e também pelos mesmos motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que se sucedeu após isto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Aí vem a grande questão. A ossada pertencia a quem? Aquele corpo encontrado anteriormente pertencia a Evandro? Vamos a Evandro. Ao chegar o corpo no IML de Curitiba, após de mais de dez horas desde que saiu do IML de Paranaguá, em vista do avançado estágio de putrefação, totalmente desfigurado, sem pele, o que tornava difícil seu reconhecimento e principalmente sua identificação, ainda assim saiu de lá como sendo Evandro Ramos Caetano. Como se deu este reconhecimento? Diógenes que acompanhava a mãe de Evandro, dizia: é ele, olhe a bundinha empinada, o calção, etc. No entanto, a única forma de identifica-lo, seria através da arcada dentária e/ou por exame de DNA. Ambos foram realizados. Iniciaremos pela arcada dentária. Como foi procedido. Ora, para se realizar o exame pela arcada dentária, necessário se faz (básico, elementar), é que existam fichas médicas/odontológicas que atestem não só o formato da arcada, mas também os tratamentos realizados (modificações originárias). Descobriu-se que o(a) profissional que tratava de Evandro era a pessoa da Drª. Adaíra Kessin Elias. Questionada sobre as fichas/controle de tratamento, esta asseverou que não existia, haja vista que por ser tratado às expensas do INAMPS (à época, se não me falha a memória) não adotavam esta prática. Assim (pelo depoimento da própria perita odontóloga do IML, Drª. Beatriz Sottile França em Plenário do Tribunal do Júri) foi chamada a se dirigir ao IML (conduzida) e descrever os trabalhos por ela realizados a fim de se poder realizar a suposta perícia. Pasmem, mas é verdade! Não obstante a Drª. Adaíra tratar de várias, senão inúmeras pessoas pelo INAMPS (ou INSS, como queiram) e sem controle (fichas), esta conseguiu descrever em detalhes todos os tratamentos por si realizados e que se encaixam perfeitamente aos existentes naquele corpo. E o fato que mais lhe chamou a atenção (diz Beatriz) foi um tratamento atípico, qual seja, uma obturação feita na parte interna (entre os dentes) sem que para isso tivesse que abri-lo “inteiramente”. Esqueceu a MD. perita, que o dente anterior estava ausente. Um verdadeiro escárnio!!! Acabou? Não!!! Como foi dito, não existia ficha de arcada dentária, só que durante as investigações aparecem treze (13) fichas donde três (03) são comprovadamente falsas, posto que adulteradas. Quem adulterou? Durante o depoimento da Drª. Beatriz França no Plenário do Tribunal do Júri, o que é inédito, a cada questionamento, esta tirava um documento da bolsa para provar o que alegava. Ocorre que em certo momento, esta tira um documento que surpreendeu a todos! É um ofício redigido e assinado pelo MD. Cap. Neves, encaminhando para o IML não só as supostas “fichas odontológicas” do também suposto menor Evandro, como também um ofício da MD. Juíza com o mesmo teor! Ou seja, um PM se sobrepõe a um magistrado, e o que é pior, este ofício (do PM) não existia nos autos. Quem o subtraiu? Quem fraudou as fichas? Uma das fraudes constatadas, consiste no fato de que a dentista diz ter extraído o dente 64 ao passo que na ficha consta a sua existência. Enfim... Esta é a prova da arcada dentária. Quanto ao exame de DNA não foi muito diferente! Como este método à época estava ainda em “gestação” aqui no Brasil, o Governo do Estado solicitou, mediante ofício junto ao FBI com escritório no Uruguai, a indicação de um laboratório que pudesse realizar este tipo de exame. Por mais incrível que pareça, mas o laboratório indicado foi o do Dr. Ruy Piloto, com o endereço na rua Mateus Leme, em Curitiba. Para onde encaminharam? Para Belo Horizonte, no Instituto GENE do Dr. Sérgio Danilo Penna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E eles justificaram porque Belo Horizonte e não Curitiba?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Pelo que me recordo, não. Na época, quem advogava a causa de Celina e Beatriz Abagge, era o Dr. Moacir Correa, e pelo que me recordo, sequer se dignaram a intimá-lo para acompanhar a coleta do material e muito menos para acompanhar as diligências. O que me recordo é que o Dr. Antonio Augusto Figueiredo Basto, com quem eu tive o privilégio de dividir a tribuna da defesa nesta causa, ao assumir a causa de Osvaldo, Vicente e Davi, e por entender que o resultado deste exame era mais uma fraude, por reiteradas vezes solicitou ao e. Tribunal de Justiça a exumação do corpo para realizar a contra-prova, e tantas quantas vezes solicitado foram sempre negada. Será que era porque só existiam pedras como afirmara o MD. agente ministerial em Plenário? Não se sabe. O que ocorreu? É que já de início, no primeiro comunicado recebido do laboratório genético do Sr. Sérgio Danilo Penna, havia a informação de que a quantidade de material (sangue) encaminhado para exame era insuficiente para se chegar a uma conclusão precisa de identificação. Estranhamente, este documento passou de definitivo para preliminar. Mais tarde, um novo comunicado com a mesma conclusão: insuficiente. Mais tarde ainda, outro comunicado, agora conclusivo: “era mesmo Evandro”. Todos satisfeitos? Ao menos a defesa não. Chama o Dr. Sérgio Danilo Penna para explicar. Ele vem? Não. Não veio e nunca viria, pois explicar o que? O inexplicável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que tinha de tão importante para ele explicar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Simples, como pode um exame de uma ora para outra dar positivo quando se afirmou por duas vezes que o material encaminhado era insuficiente? E mais. Se você pegar os ofícios encaminhados, junto a eles veio uma tabela de confronto de tipagem sanguínea, ou seja, o sangue da mãe, a do pai, e a da pessoa investigada. Simples confronto entre uma e outra (tabela) vê-se que as pontuações inicialmente dadas foram alteradas. E mais. Porque em relação ao suposto Evandro, vem um simples papelucho, ao passo que no exame do suposto Leandro (ossada encontrada) vem um dossiê de quase quatrocentas páginas com fotografias de palhetas e tudo o mais? E qual a conclusão desta ossada? Não poderia ser Leandro, porque a ossada era de uma menina. Quem era essa menina? Ninguém sabe, e pelo jeito ninguém quis saber. E mais. O método utilizado para a realização deste exame foi o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) onde o afamado Dr. Sergio Danilo Penna, em seu “folder propagandístico”, como bem denominou o Dr. Antonio Augusto Figueiredo Basto, que é um livro que acompanhava o seu “brilhante” trabalho, está escrito com todas as letras que para a utilização deste método, se faz necessário de 12 a 15 loci para se chegar a um resultado confiável, ou seja, de 99,999% de certeza, sendo melhor 15. Ocorre que no papelucho que ele entregou ao Poder Judiciário, contava apenas com 8 loci, e ainda assim, não se pejou em afirmar que aquele corpo era de Evandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E quanto às inúmeras pessoas que foram ouvidas durante o julgamento de Celina e Beatriz Abagge, qual a razão de ouvi-las? Havia alguma testemunha presencial do fato? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Essa é uma pergunta interessante. Não obstante o prazo já decorrido do julgamento até hoje, bem como por não ter mais em mãos a cópia do processo para poder lhe dar maiores detalhes e até mesmo não poder ser mais preciso, mas me recordo bem de três personagens interessantes desta história. São elas: Irineu Wenceslau de Oliveira, Edésio da Silva e Jorge Juliano Peres, testemunhas estas arroladas pela acusação pública. Irineu Wenceslau de Oliveira é que mais tem depoimento prestado, tanto é que ele é a única pessoa que é citada na denúncia por mais de trinta ou quarenta vezes. Este senhor, à época, se não me falha a memória, já contava com uma idade que se aproximava dos oitenta anos de idade, e que morava em frente à serraria, e que mostrava visível debilidade, tanto física quanto emocional e psiquicamente. No entanto, ainda que notória a contradição nos vários depoimentos prestados, há dois detalhes que quando ouvido em plenário fez questão de afirmar e reafirmar que contrariavam a tese acusatória: 1º) que a única coisa que ele viu ocorrer de diferente na serraria, foi que em um certo dia chegaram várias pessoas estranhas e lá fizeram um trabalho espírita que consistia em orar e jogar pipocas nos cantos da propriedade e que não durou mais que meia hora; e, 2º) que assinou uns papéis sob a mira de um revólver e descreve essa pessoa que praticou tal conduta como tendo um braço atrofiado (não sei se é bem essa a expressão), o que de pronto descobriu-se se tratar do hoje Procurador de Justiça, Dr. Antonio César Cioffi de Moura, promotor de Justiça que à época atuou tanto nas investigações quanto na instrução processual do presente processo. E quanto ao suposto dia que ocorreu o suposto ritual, o mesmo se encontrava internado e provou com documentos, muito embora o hospital tenha oficiado à MMª. Juíza que não havia encontrado nenhum documento que atestasse tal afirmação. Porém ninguém procurou saber quais documentos eram falsos, se os documentos apresentados por Irineu ou se o hospital falseou com a verdade. Quanto a Edésio da Silva, este era a testemunha que por várias vezes afirmou ter visto o menor Evandro no dia que antecedeu ao suposto ritual (dia 06.04.91) dentro do carro Scort acompanhado de Celina, Beatriz e Osvaldo Marceneiro enquanto andava de bicicleta. Ocorre que ele era um multi-processado por uso de drogas e que vivia a tira-colo com Diógenes. Não obstante tais circunstâncias, ao ser ouvido em plenário e contundentemente questionado sobre a plausibilidade e a total falta de lógica em suas assertivas e provada as incoerências, acabou por afirmar que não tinha certeza de nada do que dissera. Não foi por outra razão que dentre todas as testemunhas, esta foi a única que os Srs. Jurados, por 5 votos a 2, entenderam que prestou falso testemunho. Quanto a Jorge Juliano Peres, esta é a pessoa que diz ter visto, enquanto pescava próximo à serraria, um saco plástico contendo uma mão humana cheia de sangue. Como se sucedeu este depoimento. Primeiro ele se dirige ao Ministério Público para contar sua estória e depois é orientado a procurar um cartório de registro de títulos e documentos e prestar declarações. Aliás, nunca se viu um processo com tanta declaração por instrumento público como este. Ocorre que de tão improvável, inverossímel e escandaloso, que questionado o perito médico-legal, Dr. Francisco M. R. Moraes Silva, da possibilidade de após tanto tempo (entre o suposto fato e a possível achada da mão) ainda existir sangue dentro do saco plástico, este foi taxativo em afirmar que não, por mais lacrado que estivesse. E mais. Se verdade fosse, porque não pegou o dito saco plástico? Quando questionado, mil e uma desculpas, mas nenhuma plausível. Estas eram as principais testemunhas da acusação. &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Recordo de muito ter se falado de que as vísceras do menor teriam sido colocadas numa casinha apropriadamente construída próximo ao portão da serraria a mando de Celina como parte do ritual. Como foi isto, explique melhor esta história? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Não me recordo ao certo no depoimento de quem foi ventilado esta estória, acredito ser de Irineu Wenceslau. Mas de qualquer sorte, esta versão foi criada, em vista de que quando encontraram o referido cadáver, o mesmo se apresentava sem as vísceras, sem as mãos, sem alguns dedos dos pés, com uma grande lesão cocho-femural que sequer foi descrita no laudo de necropsia, enfim, com múltiplas lesões. Daí surgiram inúmeras teses sobre o que poderia ter ocorrido, desde esta risível versão de ritual de bruxaria à possibilidade de aves de rapina terem devorado tanto às vísceras quanto às lesões nas mãos e outras partes do corpo, muito embora para nós da defesa, aquele corpo ali encontrado, já se tratava de um cadáver que foi retirado de algum necrotério e ali posto. Dois motivos nos levaram a suspeitar de tal fato: um dos motivos decorre do fato de os cortes existentes no cadáver por serem muito perfeitos e retilíneos como os feito por bisturi, seria de um corpo já necropsiado; e segundo, pela quantidade de líquido existente. De qualquer sorte, a acusação pública acreditando nesta tese – de ritual de bruxaria – representada pela pessoa do Dr. Celso Luiz Peixoto Ribas, promotor de Justiça à época do júri, hoje falecido, procurou de todas as formas sustentar esta versão, ainda que insubsistente, improvável e totalmente sem nexo. Tanto é assim, que tentou por várias vezes em suas re-perguntas, “arrancar” do Prof. Dr. Francisco M. R. Moraes Silva, à época diretor do IML, como poderia ter ficado as vísceras ali depositadas e ninguém ter percebido o cheiro. Obteve como resposta que certamente ali nunca esteve depositado nenhum tipo de víscera, pois se assim fosse, o cheiro que exalaria seria tão insuportável que certamente alguém perceberia. Não se dando por satisfeito, chegou ao ponto de argumentar que numa de suas idas ao um certo centro de umbanda viu as pessoas tomar três garrafas de pinga e não ficarem bêbados, como também um bolo que ficou exposto por vários dias sujeito a intempéries e também não apodrecido, e se o mesmo não poderia ocorrer com as vísceras devido à influência dos espíritos. Mais uma vez teve como resposta: quanto às garrafas de pinga, de duas uma: ou mudaram o rótulo ou o conteúdo da garrafa; quanto ao bolo, certamente não era o mesmo que esteve exposto, ou seja, foi trocado. Ademais ele não era pai de santo, e sim um profissional da medicina, portanto, somente poderia dar explicações técnico-científicas e não sobre crenças religiosas, afinal cada um acredita no que quiser. E eu não tenho dúvida, esta é uma opinião minha, que devido ao testemunho deste profissional, uma das maiores autoridades em medicina legal deste País, que de forma clara, objetiva e eminentemente técnica deu a devida interpretação às provas periciais, que diga-se de passagem não atendeu aos interesses da acusação, passou a ser perseguido não só ao ponto de ser afastado da direção do IML, mas também sofreu toda sorte de acusações, levianas acusações como venda de cadáver até abusar de crianças quando da realização de perícias. Enfim, nada foi encontrado na dita casinha e muito menos qualquer vestígio de sangue na serraria, muito embora, estranhamente, após inúmeras diligências para tal, tenha sido encontrado depois de muito tempo, vestígios de sangue numa suposta marca de dedos de mão humana numa das paredes da serraria. Foi “plantada”? A defesa não duvida desta hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Há algo mais que o Sr. acha importante esclarecer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Omar – Acredito que estas são as principais discussões deste processo. É óbvio que tem muito mais detalhes que poderiam ser explorados, mas se pretendermos trazer à baila todos, ficaríamos aqui dias e dias falando sobre este processo. Por certo muito mais que os 34 dias que levou o julgamento delas junto à Comarca de São José dos Pinhais, pois na época o processo já contava com 34 volumes só do principal, fora os apensos (apensos são os outros volumes anexados) que daí somavam aproximadamente 70 volumes. Hoje, então! Portanto, acredito ser o suficiente para demonstrar que este processo é dos maiores erros judiciários depois do caso dos irmãos Naves ocorrido em Minas Gerais há tantas décadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-4751837860506568762?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/4751837860506568762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/enquanto-beatriz-era-violentada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/4751837860506568762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/4751837860506568762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/enquanto-beatriz-era-violentada.html' title='“Enquanto Beatriz era violentada sexualmente pelos policiais, Celina levava choque elétrico nos seios, enquanto eram interrogadas.&quot;'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM7pHJVQjI/AAAAAAAAAFA/83Rybi04uvQ/s72-c/omar+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-4813087199206483874</id><published>2009-10-12T07:18:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:20:30.486-07:00</updated><title type='text'>A nossa sociedade não se calou diante dessas injustiças</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM7I8QMlWI/AAAAAAAAAE4/ADeuX9NO5uE/s1600-h/dom_pedro.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 148px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM7I8QMlWI/AAAAAAAAAE4/ADeuX9NO5uE/s200/dom_pedro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391718203691668834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 26 de novembro de 1994, diversas autoridades manifestaram solidariedade a Celina e Beatriz Abagge, enviando mensagens ao então ministro Luiz Vicente Cernicchiaro do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.&lt;br /&gt;Pessoas honradas e corajosas da nossa sociedade não temeram a campanha difamatória da mídia, insuflada por um processo de investigação contestado até mesmo por autoridades policiais.&lt;br /&gt;A seguir destacamos algumas dessas mensagens enviadas na época por telex.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com a minha participação direta como defensor dos direitos de liberdade daqueles que sofrem a maior injustiça já cometida, por terem sido presos em mandato judicial, praticamente raptados de suas residências, e serem terrivelmente torturados, acusados de prática de ritual satânico inexistente, contrariando a própria Constituição, para confessarem forçosamente um crime não cometido, venho a Vossa Excelência, com a certeza de que a minha palavra como autoridade católica seja respeitosamente levada em consideração, e por isso peço em nome da Igreja e da comunidade paranaense que o pedido de liberdade aos mesmos seja concedida. &lt;br /&gt;Que Deus o abençoe.”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Arcebispo D. Pedro Fedalto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dirijo-me respeitosamente a Vossa Excelência para dar a seguinte informação a respeito do que segue: exerci o cargo de Secretário de Segurança Pública do Estado do Paraná no período de 1961 a 1965 – Governo Ney Braga. Fiz curso de treinamento policial nos órgãos de segurança dos Estados Unidos. Sou atualmente general do Exército, reformado, com experiência em assuntos de Estado Maior. Por dezesseis anos, quatro legislaturas, fui deputado federal pelo Estado do Paraná, período de 1970 a 1986, atuando na Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados, tendo feito minha vida profissional quase toda ela no Paraná, meu Estado. Conheço a família Abagge – especialmente a de Aldo Abagge, sua esposa e filha. Por toda essa experiência adquirida, acredito que o drama que vive essa família não tem a mínima possibilidade de ser verdade, tudo para mim não passa de um grande erro investigatório, muito influenciado pelos órgãos de imprensa.”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;General Ítalo Conti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como autoridade responsável pela orientação de uma das maiores comunidades religiosas de Curitiba, e sendo participante da luta junto a outras personalidades do Paraná, na defesa das sete pessoas que sofrem uma das maiores arbitrariedades cometidas pela Justiça, pela imprensa e pelo Estado, acusados de participação em ritual satânico não praticado, venho respeitosamente perante Vossa Excelência formular meu pedido, e da comunidade, para a imediata soltura dos acusados, por termos a certeza absoluta de sua inocência.&lt;br /&gt;Que Deus o abençoe.”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Frei Miguel Botassim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na qualidade de presidente da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica, afirmamos a posição de indignação da classe quanto ao processo 2951/8, já em vossa jurisdição, exigindo em nome da Justiça a da verdade, em nome da integridade ética e moral do povo paranaense, a soltura imediata das sete pessoas injustamente acusadas de prática de ritual satânico desmentido pelas autoridades eclesiásticas do Paraná, em processo tumultuado e tortuoso.”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dra. Elceli Franklin Caminha&lt;/span&gt;, presidente nacional&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-4813087199206483874?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/4813087199206483874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/nossa-sociedade-nao-se-calou-diante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/4813087199206483874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/4813087199206483874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/nossa-sociedade-nao-se-calou-diante.html' title='A nossa sociedade não se calou diante dessas injustiças'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM7I8QMlWI/AAAAAAAAAE4/ADeuX9NO5uE/s72-c/dom_pedro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-5276445375921333832</id><published>2009-10-12T07:16:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:18:05.635-07:00</updated><title type='text'>O delegado Dr. Luiz Carlos de Oliveira abre o jogo: “Não vamos destacar este ou aquele acusado, porque existem sete acusados, e são todos inocentes.”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM6j4n8yDI/AAAAAAAAAEw/6bouykU2GAI/s1600-h/delegado+03.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM6j4n8yDI/AAAAAAAAAEw/6bouykU2GAI/s200/delegado+03.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391717567062394930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado Luiz Carlos de Oliveira é um dos melhores delegados do país. Inteligente, raciocínio rápido, domina como ninguém a arte de entender e se fazer entender pelos interlocutores. A firmeza de suas palavras e ações não deixam dúvidas sobre um caráter firme e perspicaz. No dia em que fizemos esta entrevista ele apresentou à imprensa os criminosos responsáveis pelo assassinato de um Guarda Municipal em uma Unidade de Saúde de Curitiba. O crime chocou a opinião pública e o delegado agiu rápido, e de forma eficiente. A Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba é uma das mais movimentadas do país.&lt;br /&gt;Leia a seguir as opiniões do delegado Luiz Carlos de Oliveira sobre o suposto crime de magia negra em Guaratuba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor se lembra desse caso de Guaratuba?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos – Jamais me esqueceria porque na verdade o caso onde fui destacado era o caso do menino Leandro Bossi, um caso quaseque semelhante, embora não tivesse destaque maior, e não tenha aparecimento de corpo, mas havia dois desaparecimentos naquele mesmo balneário, tendo em vista que o menino Leandro desapareceu no dia 15 de fevereiro de 1992 e o menino Evandro no dia 6 de abril de 1992, vindo a surgir um cadáver que supostamente fora dado como sendo do menino Evandro. Nós em nenhum momento acreditamos nessa afirmação, que é uma tremenda farsa, tendo em vista que nós tínhamos suspeita que aquele cadáver poderia até ser do Leandro, mas nunca do Evandro, porque nós não tínhamos como fazer as investigações sem entrar um caso no outro, mesmo porque dois desaparecimentos num balneário onde nunca desapareceu ninguém era algo de se estranhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como foi o caso das contradições da foto do cadáver?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos - Nós começamos a fazer as investigações e chegamos a uma foto do menino Evandro, que seria daquele cadáver, onde aparece com a bermuda que estava trajando no dia do desaparecimento, e durante a visualização daquele foto você pode presenciar que naquele menino era uma bermuda, e no cadáver essa bermuda era um shorts. Por maior enrregecimento que tenha um cadáver, não existe uma forma de uma bermuda transformar-se em um shorts. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais chamou a sua atenção neste caso?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos - O mais estranho disso tudo era a forma como as coisas eram conduzidas, primeiramente uma testemunha foi levada ao Procurador Geral da Justiça, Dr. Celso Carneiro do Amaral, na época dos fatos, que relatou isto a termo, colocando uma pessoa de testemunha, que não sei se era tenente João Krainski Neto, que levou o Diógenes Caetano dos Santos até aquele depoimento, onde ele firmou como testemunha dessa farsa. E nessa ida até o Dr. Celso Carneiro do Amaral o Diógenes já relata na sua oitiva fatos da investigação que aconteceram exatamente como ele relatou durante o relato da declaração tomada pelo Procurador Geral, como assim? Uma chave que apareceu ao lado do corpo, que supostamente queriam ligar a chave ao cadáver, coisas que a polícia deveria ter feito e fez por indução, porém em nenhum momento fizeram o exame de DNA. Até que nós solicitamos pelas nossas dúvidas um exame de DNA, porque nós não poderíamos entrar no caso do Evandro porque não era aquilo que nós investigávamos, nós investigávamos o caso Leandro Bossi, não do Evandro, mas como as pessoas ligadas ao caso Evandro confessavam sob constrangimento ilegal, todas essas afirmações, nós fomos designados para ouvi-las a respeito dessas confissões e lá chegando já vimos que aquelas confissões não tinham nenhum tipo de fundamento, por exemplo, a aparição de um dos acusados que me mostrou as costas, que estava tudo roxo, com muitos hematomas, onde era possível evidenciar ilegalidade. Nós então começamos a fazer as investigações, e as investigações foram muito dificultadas, porque sempre que nós chegávamos a alguma pessoa que podia dar alguma informação, essas pessoas estavam protegidas por autoridades, sempre protegidas de alguma forma, e nós achávamos muito estranho como tudo acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obtenção do DNA foi tranqüila?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos - Demorou de 5 a 6 meses para vir o resultado final do DNA que solicitamos, porque vieram dois outros resultados negativos anteriormente, de que forma? Não existia material necessário para fazer o exame, aquele material era incompatível, aquele cadáver não é o do garoto. As pessoas precisam saber disso: aquele cadáver encontrado não é o do garoto! Então, na verdade, as pessoas e testemunhas foram induzidas, e tiveram dificuldades. Nunca ninguém viu que material foi enviado, na presença de quem foi colhido o material? Não existe uma única testemunha que possa afirmar como sendo a pessoa que viu, nem do lado do Ministério Público nem do lado da defesa. Nós tivemos até conhecimento, supostamente de pessoas que teriam enviado posteriormente um dente de leite, pessoas que solicitaram da mãe do garoto um chumaço de cabelo para produzir princípios de provas, para responsabilizar e culpar as pessoas acusadas da época, porque havia um clamor público muito grande, mas foi tudo levantado por Diógenes Caetano dos Santos naquela oportunidade, que fazia a manipulação das pessoas, fazia apedrejamento da casa do prefeito. Ele ficou na época inclusive sob proteção da própria PM2, com policiais designados e tudo. E não me digam que existia alguma possibilidade de qualquer reação em cima dele porque na verdade os acusados eram outros, eram sete pessoas, e nos julgamentos desmembrados posteriores houve 4 absolvições e 3 condenações, um absurdo total. Lamentavelmente, a pessoa do Ministério Público, que era extremamente competente, atuou como numa disputa profissional. O julgamento deve buscar a verdade dos fatos e não é uma conquista profissional, porque mexe com vida das pessoas, principalmente quando existe um crime de morte. &lt;br /&gt;Durante o júri o próprio promotor fez perguntas não só às testemunhas, mas principalmente ao médico legista, Dr. Francisco Moraes Silva, como forma de induzir os jurados ao não reconhecimento do cadáver, e obviamente, sendo ele muito inteligente, pediu a anulação do processo porque as pessoas votaram no item não reconhecendo o cadáver como sendo do menino Evandro, e isso era contrário às provas dos autos. É o que eles estão tentado fazer hoje com um novo julgamento do maior absurdo que eu já vi na minha vida. Nós temos acompanhado alguns casos polêmicos no Estado do Paraná, e nós não podemos deixar que isso aconteça porque a verdade ainda vai aparecer, e haverá um rótulo futuro muito grande para o Paraná, o de “Estado da Injustiça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor é delegado a quantos anos?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos – 34 anos de atividade policial, delegado há 23 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caso marcou sua carreira?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos – Marcou porque em toda a minha vida eu sempre busquei a verdade, a verdade para a Justiça, para que os culpados sempre fossem responsabilizados, e todas as minhas ações sempre foram no sentido de responsabilizar os culpados, e eu não poderia responsabilizar pessoas inocentes, porque eu percebia que não havia nenhum indício, que não havia nenhum princípio de prova. Percebia claramente que os acusados não tiveram participação nenhuma no crime, apesar do constrangimento de testemunhas no próprio processo, quando as pessoas eram ouvidas no Fórum naquela cidade de Guaratuba. &lt;br /&gt;Então isso me fez um convencimento muito grande, porque eu participei de tudo, eu não fiz algum estudo, como fizeram algumas autoridades, eu participei de tudo, na ardência dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As acusadas Celina e Beatriz Abagge são culpadas ou inocentes?&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos – Não vamos destacar este ou aquele acusado, porque existem sete acusados, e são todos inocentes. Na verdade, talvez o intuito, o objetivo de colocar sete acusados fosse para conturbar a ação e dificultar os álibis, nisso eu acredito, mas o objetivo principal, sim, era incriminar Celina e Beatriz Abagge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fale sobre o Diógenes Caetano da Silva.&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos – O Diógenes eu reputo como uma pessoa que tem uma mente doentia, e toda pessoa com mente doentia é capaz de produzir muitas outras coisas contra os outros e contra si próprio, e o Diógenes, movido pelo ódio, muito característico das pessoas que tem essa doença, ele procura sempre vingar-se, e ele é uma pessoa que tem a isenção de medo. Neste caso ele teve a cooperação de outras pessoas influentes. Não podemos deixar de lembrar que ele foi investigador de polícia, e hoje é um engenheiro civil, e sempre foi uma pessoa bem esclarecida, mas é uma pessoa mentalmente doentia, e foi ele o grande responsável por todas esta farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, fale sobre a essência do trabalho policial.&lt;br /&gt;Dr. Luiz Carlos - Gostaria de acrescentar que todos esses fatos, ao longo desses anos, sempre mexem muito com a nossa vaidade profissional, porque todos nós temos essa vaidade, mas acima de tudo, o desafio, a essência do trabalho policial é desvendar a diferença entre a verdade e a mentira, entre a justiça e a injustiça, é isso que deve fazer sentido num trabalho como o nosso, o trabalho de autoridade policial, onde no dia a dia você pode presenciar muitas adversidades, mas é necessário sempre trabalhar com o intuito do esclarecimento para trazer a verdade à tona, e neste caso, pela primeira vez na minha vida, eu trabalhei em um caso onde a verdade foi desprezada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-5276445375921333832?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/5276445375921333832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/o-delegado-dr-luiz-carlos-de-oliveira.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/5276445375921333832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/5276445375921333832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/o-delegado-dr-luiz-carlos-de-oliveira.html' title='O delegado Dr. Luiz Carlos de Oliveira abre o jogo: “Não vamos destacar este ou aquele acusado, porque existem sete acusados, e são todos inocentes.”'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM6j4n8yDI/AAAAAAAAAEw/6bouykU2GAI/s72-c/delegado+03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473036745688814097.post-1347540017848317046</id><published>2009-10-12T07:13:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:16:12.535-07:00</updated><title type='text'>Dra. Isabel Kugler Mendes: nenhuma dúvida sobre a inocência dos acusados.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM6H5VqNMI/AAAAAAAAAEo/JLszwUCetD8/s1600-h/isabel+05.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM6H5VqNMI/AAAAAAAAAEo/JLszwUCetD8/s200/isabel+05.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391717086217778370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Tive a oportunidade de descer até Guaratuba e conhecer o local do “pretenso ritual satânico”. Aí, se alguma dúvida existia, quanto á inocência de todos, essa desapareceu.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dra. Isabel  Kugler Mendes, atual Secretária da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Paraná&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista com a Dra. Isabel  Kugler Mendes, atual Secretária da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Paraná.&lt;br /&gt;Qual a sua opinião sobre o caso de Guaratuba?&lt;br /&gt;Dra. Isabel Kugler Mendes - O caso de Guaratuba, sem dúvida nenhuma, foi um dos casos de maior repercussão dentro do Judiciário Brasileiro, e porque não dizer da imprensa. Ele ultrapassou nossas fronteiras e foi lançado internacionalmente, se diz que a notícia correu em mais de 50 países, e houve o acompanhamento da mídia nacional até o final. Tomei conhecimento dos fatos através da imprensa e passados dois meses e pouco, fui procurada por membros da família Abbage na qualidade de presidente de um órgão  de defesa dos Direitos da Mulher, o Conselho Municipal da Condição Feminina de Curitiba. Recebemos a denúncia de que Celina e Beatriz Abagge teriam sido torturadas. E aí, não importando se culpadas ou inocentes, decidiu-se buscar a verdade sobre as torturas. Porque a tortura é um crime hediondo  que, de forma nenhuma, pode qualquer pessoa a ela ser submetida. É um preceito Constitucional que há que ser respeitado. Inicialmente tomamos conhecimento do processo e foi com surpresa que constatamos  que, desde o início o mesmo estava cheio de falhas. No inquérito policial os erros visíveis e primários. Examinando o processo - na época tinha 5 volumes e acredito que hoje são quase 80,  levantamos as ilegalidade, falhas, erros e omissão das autoridades e elaboramos um primeiro dossiê mostrando tudo isso e o encaminhamos às autoridades e imprensa. Trabalho que contou com o apoio das advogadas e psicólogas que então prestavam serviço no Conselho.&lt;br /&gt;Numa segunda etapa, num trabalho isolado, fui conhecer as pessoas envolvidas, inicialmente as mulheres. E qual não foi minha surpresa quando, decorrido já seis meses da prisão delas, constatei que ainda  apresentavam inúmeros sinais da violência, da tortura a que foram submetidas. Beatriz Abbage apresentava, nos dedos das mãos, inúmeros sinais de queimaduras que, aliás, até hoje ela ainda carrega muitos desses sinais. Também apresentava cicatriz de cortes na testa, na fronte. Sinais esses, segunda ela, produzidos por fivelas de cintas dos policiais torturadores. E ainda,  surpresa maior foi quando ela  contou em detalhes, que  tinha sido estuprada, pelo menos, por dois policiais. Como havia desmaiado não sabe se outros a violentaram também. D. Celina também relatou as torturas sofridas, que foram muitas e cruéis.&lt;br /&gt;Considerando que, como consta do processo, desde o primeiro momento em que essas duas mulheres se viram frente às autoridades judiciais - juiz e promotor - elas relataram as torturas que tinham sofrido como o estupro; considerando que os sinais da violência eram visíveis, fiquei pasma ao ver que, em nenhum momento foi tomada qualquer medida. Inclusive a justiça omitiu que Beatriz Abbage denunciava o estupro, simplesmente registrando “ela diz que sofreu atos libidinosos”. Por que? Para que não precisassem abrir inquérito, como a lei obriga e porque o rumo da investigação seria outro: confissão mediante tortura.&lt;br /&gt;Para entrevistar os homens foi uma dificuldade imensa. Só consegui quando me coloquei, por curto período, como auxiliar da defesa - era uma defensora dativa, Dra. Stela. Com os homens, não foi menor a surpresa porque, embora decorridos dez meses da prisão, todos apresentavam sinais visíveis das torturas sofridas para confessarem. E continuavam sendo torturado porque privados do direito sagrado à higiene pessoal, por ordem da juíza de Guaratuba. Eles tinham realmente uma  aparência bruxos:  unhas enormes, cabelos e barbas compridas e, pela falta de sol, pele de um branco esverdeado. Existem fotos daquela época que mostram que não há exagero neste relato. Entre os  sinais das torturas sofridas constatamos: costelas quebradas, marcas de queimaduras no corpo, edemas, etc. Com o relato de todos os sete implicados e de vária testemunhas dos atos de violência praticados pelos PMs contra os mesmos, com cópia de documentos dos autos, um segundo dossiê foi elaborado e encaminhado a imprensa e às autoridades competentes - dos três poderes – mas, como aconteceu com o primeiro dossiê, nenhuma medida foi tomada. As autoridades optaram pela omissão. Tortura e verdade são assuntos que incomodam a todos.&lt;br /&gt;No decorrer dos anos – creio que as mulheres ficaram oito anos presas - continuei acompanhando, visitando, monitorando, vendo as condições e lutando pelos direitos humanos daquelas pessoas. Que fique bem claro que, eu ou o Conselho da Condição Feminina, nunca defendemos essas pessoas pelo crime que estavam sendo acusadas. Outros advogados fizeram essa defesa.  Defendemos sim, os direitos humanos, a que todos nós cidadãos brasileiros temos direito. Essas pessoas não poderiam  ter sido torturados para confessarem um crime que não cometeram.Um crime que até hoje permanece escondido pelas sombras do medo, da covardia, da indiferença de muitos. Nossa Constituição é clara ao dispor que ninguém será submetido à tortura, tratamento degradante, cruel e desumano, e essas pessoas o foram. Mas, é a regra, os inocentes “confessam” sob tortura, os culpados suportam porque sabem que serão libertados.&lt;br /&gt;Na seqüência, tive a oportunidade de descer até Guaratuba e conhecer o local do “pretenso ritual satânico”. Aí, se alguma dúvida existia, quanto á inocência de todos, essa desapareceu. Quando lá estive a fábrica ainda funcionava com 25 funcionários, na épo0ca que aconteceu o fato eram 54 funcionários. Vendo o local – uma sala de cerca de seis metros quadrados cheia de móveis - qualquer pessoa reconheceria ser ali totalmente impossível de ocorrer qualquer coisa parecida com um ritual, ou mesmo uma reunião com mais de 3 ou 4 pessoas. Jamais uma criança poderia ter ficado ali presa, confinada por mais de 30 horas, como denunciado. Uma sala totalmente aberta, com os empregados entrando e saindo a todo o momento, pegando ferramentas para regular as máquinas, para bater ponto. Além disso, o terreno – imenso - é cercado de casas e  termina na baía, por onde entravam os barcos que transportavam madeira para a fábrica de caxetas. Ali vi barcos de vários tamanhos. Se alguém fizesse um ritual e procurasse esconder um corpo, era só ter adentrado a baía com um dos barcos e largado o corpo no mar, no mangue (onde seria comidos pelos siris) e esse nunca seria encontrado. Agora, pense bem: levar um corpo a uma distância de mais de  5 quilômetros do local do pretenso ritual,  colocando a chave da casa do menino desaparecido, chinelo e objetos pessoais ao lado do corpo encontrado, é um flagrante ato de se tornar conhecido o que não é! É evidente a intenção de fabricar provas para um fim desejado: incriminar inocentes.&lt;br /&gt;Finalizando eu diria que – foi sempre minha opinião-  quem tem que dar explicações é o acusador: o senhor Diógenes Caetano, tio do menino Evandro..Inimigo político do prefeito Aldo Abagge, alijado da sociedade tradicional de Guaratuba, freqüentada pela família Abagge e não pela sua.Vale lembrar que Guaratuba, fora da temporada, é uma pequena cidade.  Durante todo o processo o acusador, Diógenes Caetano, manipulou o povo simples  do município para manifestações públicas. Pelo que sei, jamais foi ele investigado  Outros fatores contribuíram para essa tragédia que se abateu sobre a família Abagge e a de tantas outras pessoas. Porque a família do pequeno Evandro é também vítima. Outro: a injunção política do momento. O prefeito Aldo Abagge, dentro da Associação de Prefeitos do Litoral, não comungava do pensamento do então governador. O que pode explicar porque não houve a boa vontade por parte do governo de investigar e esclarecer os fatos. Outros fatores importantes: a Polícia Civil - Grupo Águia – realizou farta investigação, examinou as denúncias do senhor Diógenes Caetano quanto ao ritual e nada foi comprovado. Mas ele conseguiu fazer chegar até o então Secretário Favetti,  que, diziam, estava para ser deposto diante do clamor público pelo desaparecimento de 14 crianças. Possivelmente viu o Secretário Favetti, na denuncia, alguma coisa que poderia ter repercussão e evitar sua saída. Evitou ,e a repercussão extrapolou tudo o que as autoridades imaginavam. Os ingredientes  muito fortes, suficiente para incendiar qualquer coisa: CRIANÇA. RELIGIÃO, FAMÍLIA ( tradicional) e POLÍTICA ( prefeito). Rápido o fogo alastrou-se e não deu mais para segurar: a mentira prevaleceu.&lt;br /&gt;Não houve mais possibilidade de retorno, e chegou ao ponto que chegou. As confissões obtidas pela PM tinham que ser mantidas em pé. E, graças a Deus, algumas dessas infelizes pessoas, foram absolvidas. Como dona Celina e Beatriz, os jurados as absolveram por 6 votos a 1 pela comprovação que o corpo encontrado não era o de uma criança de 7 anos, mas sim de uma criança de 10 a 11 anos. Depois outros dois acusados foram absolvidos, mas três dos rapazes, que não tinham condições financeiras  para contratar advogados, acabaram sendo condenados. Não se sabe o motivo, mas tem um ainda preso: Vicente de Paula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode ser dito para que no futuro haja justiça e casos como este não se repitam?&lt;br /&gt;Dra. Isabel Kugler Mendes -  Entendo que a responsabilidade da Polícia Civil é muito grande na investigação e na elaboração de um inquérito. Ela é a polícia judiciária e não a PM, a quem cabe, no caso, a responsabilidade das torturas para obter as confissões. Hoje estamos vivendo um caso -  por coincidência ocorrida no litoral - que é o caso do Morro do Boi. .Dois acusados: quem é realmente o culpado? As provas vão dizer, acredito. Daí a ser o inquérito policial  essencial para elucidação do crime. Se o inquérito é mal, feito fica difícil para o Judiciário e o acumulo de processos, não raro, o impede de ir a fundo para evitar injustiças, como do Caso Guaratuba.&lt;br /&gt;E ainda, o que se lamenta,que o ódio, a raiva, a inconseqüência das pessoas – no caso de Diógenes Caetano – provoquem tragédias familiares como essa. Destroem reputações. Prejudicam e fragilizam a sociedade e a própria Justiça. Atos como o deste caso,  destroem e abalam estruturas familiares: a família Abagge em seu todo – uma família respeitada, de tradição sólida -  foi profundamente abalada e continua até hoje sofrendo os efeitos dessa tragédia. Muitas vidas foram perdidas: Dr Aldo Abagge morreu em decorrência de um câncer no estômago de tanto sofrer. O pai de D. Celina, chorou até morrer, durante onze meses, a ponto das lágrimas cobrirem seu rosto de feridas. Faleceu o pai do Oswaldo Marceneiro e outros tantos, também de sofrimento e dor. Muitas pessoas sofreram, e ainda sofrem, como a família do mártir Evandro Caetano,  as conseqüências desse triste e trágico caso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer mais alguma coisa para encerrar?&lt;br /&gt;Dra. Isabel Kugler Mendes - Quero pedir a Deus que a verdade total, nesse caso, apareça – limpa e transparente - que possa a Justiça ser feita para todos, que a verdade sempre esteja à frente, que a mentira e o mal sejam derrotados. Que os responsáveis pela Justiça tenham consciência da importância de suas decisões para uma sociedade justa e humana. E como disse o poeta : &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que o perdão seja sagrado&lt;br /&gt;Que a fé seja infinita&lt;br /&gt;Que o homem seja livre&lt;br /&gt;Que a justiça sobreviva.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473036745688814097-1347540017848317046?l=casoguaratuba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/feeds/1347540017848317046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/dra-isabel-kugler-mendes-nenhuma-duvida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/1347540017848317046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473036745688814097/posts/default/1347540017848317046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casoguaratuba.blogspot.com/2009/10/dra-isabel-kugler-mendes-nenhuma-duvida.html' title='Dra. Isabel Kugler Mendes: nenhuma dúvida sobre a inocência dos acusados.'/><author><name>Jornal Água Verde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06733208961245618377</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://2.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/SqBQvxS4z6I/AAAAAAAAABY/Qr9a6xf5f2I/S220/jornal+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1Mex8IJUjws/StM6H5VqNMI/AAAAAAAAAEo/JLszwUCetD8/s72-c/isabel+05.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
